Uma das piores dores?
Quando nada mais pode ser feito.
Quando tudo já foi dito, exposto, gritado,
e não sobra mais nada para prender na garganta.
Mas no coração… ah, no coração,
uma tempestade de amor permanece —
amplo, voraz, esperando para ser entregue.
Mas sem permissão.
Sem licença para sair.
É uma das piores dores:
amar demais e ser impotente,
não poder entregar,
não poder arrancar esse fogo do peito.
Tudo borbulha, ferve, queima silencioso —
uma chama presa no tempo,
alimentada pela espera que destrói.
E essa espera maldita —
a espera que corrói, que dilacera,
que tortura com o silêncio do que não pode ser,
essa é a dor que não se explica,
a dor que não morre,
porque não pode.