Sim
eu sei o que é morrer
Há um ditado que diz que “ninguém voltou pra contar”
pois eu morri e aqui estou
O que os outros veem andando por aí
carregando consigo a minha fisionomia
trata-se apenas de um conjunto de órgãos, tecidos e ossos
Podem procurar à vontade
não encontrarão vida ali
A que eu tinha
levaste contigo
na bagagem do que fomos
na bagagem pesada do que vivemos
Aposto que, para ti, o peso dela é quase inexistente
enquanto eu, do lado de cá
sinto cada segundo da nossa história
como uma navalha na minha garganta
Maldita navalha que apenas me sufoca
Queria mesmo é que ela concluísse seu trabalho
para que nem mesmo meus órgãos, tecidos e ossos
possam caminhar por aí com as doloridas marcas tuas