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Os melhores poetas da humanidade conseguiam traduzir em palavras, com riqueza de detalhes, a sensação que o amor proporciona. Descreviam as características de um olhar e as consequências que causavam em seus corações. Já li poetas que escreviam páginas inteiras descrevendo momentos que duraram segundos. Uma cruzada de olhares bastava para uma infinidade de palavras bonitas que prendiam a atenção do leitor. E eu? Até tento transformar alguns sentimentos em palavras. Mas colocar no papel o furacão que o teu olhar e o teu sorriso causam dentro de mim é tarefa absolutamente impossível. Tento, tento e tento. Leio, procuro palavras que não conheço, folheio o dicionário de cabo a rabo e nada. Fico horas olhando para um papel em branco, pensando até em deixá-lo em branco propositalmente, na intenção de que o leitor entenda o recado, de que no silêncio ou no vazio cabem um milhão de coisas. Mas sempre acabo desistindo… Não me atrevo!
Afinal, será que ninguém conseguirá descrever com fidelidade o amor verdadeiro em palavras, em milhares de anos? Bom, não serei eu, um pobre coitado, que teria tamanha ousadia. Mas é só ficares diante de mim, trocar algumas palavras, olhar diretamente nos meus olhos e esboçar um sorriso, por mais discreto que seja, e pronto! É como se a definição total, absoluta e mais perfeita do amor estivesse diante de mim, não em forma de letras, mas, mesmo assim, fazendo com que eu lesse cada página do teu semblante e devorasse, em alguns segundos, o livro mais bonito da história. Por instantes, tenho diante de mim a maior riqueza que um ser humano é capaz de construir. Me sinto dono do mundo, das respostas, da verdade. Tenho em meu peito a principal matéria-prima da arte, da música dos textos, dos grandes nomes da história. Por minutos, tenho tudo, tenho o mundo. A definição do amor só é entendida olho no olho. É absolutamente inútil qualquer tentativa de transformar em grafias aquilo que somente o coração conseguirá ler.