Se os espíritas estivessem com a razão,
deveria ser proibida a reencarnação dos intensos,
dos sensíveis, dos pensadores, dos poetas.
Aqui nunca foi nosso lugar,
a não ser que a nossa única dedicação,
em existências anteriores,
tenha sido a prática do mal.
Quem sabe então faça sentido:
estamos sendo castigados,
pagando por dívidas antigas,
massacrados por nossas próprias mentes.
Ao mesmo tempo, me pergunto:
e se eu tivesse nascido como a maioria?
Fugindo de mim mesmo a todo instante,
usando trabalho e paixões para me esconder
de qualquer possibilidade de encontro com a minha própria essência.
Acumulando, acumulando e acumulando
riquezas, dúvidas e inseguranças,
colocando para debaixo do tapete
coisas que não consigo compreender.
E o pior:
acreditar em verdades que eu mesmo criei,
acreditar que eu esteja no caminho certo,
sem saber que não existe caminho certo.
E quem disse que existe um caminho?
Talvez os ignorantes sofram menos,
mas, de uma ou outra forma,
maquiada ou escancarada,
viver sempre doeu,
para todos.