Esta publicação tem como objetivo resgatar a fascinante história da Família “Rigon”, cujas raízes remontam à Itália e cuja jornada se desenrolou inicialmente na região serrana do Rio Grande do Sul, antes de se estabelecer na região noroeste do estado, mais especificamente na pequena localidade de “Lajeado Estiva”, situada no município de Tuparendi. Se você se identifica como um Rigon e não encontrou nenhum de seus antepassados nesta publicação, não se preocupe. É possível que esse elo genealógico remonte a séculos atrás, sem registros sobreviventes. Além disso, é crucial considerar a possibilidade de erros registrais, frequentes em tempos passados. É provável que haja conexões familiares, por exemplo, com pessoas que possuem sobrenomes como “Rigo”, “Rigoni” e até mesmo “Rigão”. Lembrando aos queridos leitores que este artigo estará em constante atualização. Qualquer informação ou novidade que possa enriquecê-lo é mais do que bem-vinda. Fiquem à vontade para entrar em contato através dos detalhes fornecidos ao final do texto. Sua contribuição será valorizada e incorporada.
Recentemente, tenho sido instigado por um despertar de interesse em buscar informações sobre meus antepassados. Como me considero espiritualista, acredito que esse despertar não é mera coincidência. A partida precoce dos meus pais, entre outras questões pessoais, tem alimentado em mim uma profunda curiosidade em relação às minhas origens familiares.
É uma reflexão profunda reconhecer que, para vivenciarmos esta fascinante jornada chamada “vida”, devemos honrar, com respeito e gratidão, não só nossos pais, mas também nossos avós, bisavós, trisavós, tetravós e assim por diante, até alcançar os tempos ancestrais.
No entanto, neste momento, meu foco é direcionado ao resgate específico do sobrenome que sucede o “Maicon”, uma herança que carregarei até meu último suspiro e que, mesmo após isso, permanecerá marcada em minha lápide por muitos anos adiante, já que não pretendo ter descendentes para perpetuar meu legado. Foram meses de imersão em pesquisas, vasculhando sites como o Family Search e explorando documentos históricos disponibilizados pelos governos. Entre manuscritos antigos de cartórios e conversas com familiares, a jornada foi intensa. A pesquisa, contudo, é uma jornada sem fim. Sempre há a possibilidade de novas descobertas, de detalhes a serem acrescentados. No entanto, o que pude desvendar até agora, com muita alegria compartilho com vocês.
O primeiro ancestral Rigon que temos registro é meu trisavô, Antônio Rigon, nascido por volta de 1830 na região de Vicenza, na Itália, e falecido em 1880 na localidade de Torrebelvicino, também em Vicenza, na região do Vêneto. Ele compartilhou sua vida com Pierina Bortoli, nascida em 19 de março de 1834, na localidade de Asiago, também em Vicenza, e que veio a falecer em 28 de junho de 1914, em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. (Na época, Alfredo Chaves).
Sobre esse casal, há escassas informações disponíveis. No entanto, ao conectar os pontos em uma investigação minuciosa, digna de um detetive, é possível concluir que o filho de Antônio, o Sr. Giuseppe Rigon, meu tetravô, veio da Itália acompanhado por sua mãe, a Sra. Pierina. Essa dedução se dá pelo fato de que os registros indicam o falecimento de Antônio na Itália.
A saga dos Rigon no Brasil teve início no final do século XIX, por volta de 1880. Sua jornada começou na Itália, na região do Vêneto, província de Veneza. Giuseppe é talvez a figura central dos Rigon da região Noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Após desembarcar com familiares no Rio de Janeiro, seguiram para o porto de Rio Grande e navegaram pela Lagoa dos Patos até Porto Alegre. Daí, estabeleceram-se inicialmente na Colônia Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, no estado gaúcho.
Registros históricos revelam que, em 1891, aos 17 anos de idade, Giuseppe adquiriu uma extensão de terra na localidade de “Linha Dois de Julho”, situada na então vila de Alfredo Chaves, pelo valor de quase 170 mil réis. Nesse local, a família enfrentou semanas, quiçá meses, em acampamentos improvisados, dedicando-se arduamente à construção e à abertura de estradas. Com o passar do tempo, eles gradualmente adquiriram sementes e ferramentas agrícolas, iniciando assim sua jornada rumo à agricultura e à consolidação de suas raízes naquela região.
A comitiva era numerosa. Giuseppe trouxe consigo sua mãe, Pierina Bortoli, e mais oito irmãos, todos homens. Os pais de Maria, David Bortoli e Catharina Carli, também embarcaram nessa jornada. Giuseppe e Maria constituíram uma família de sete filhos: Pierina, David, Antônio, Albina, João, Severino e Ângelo. Pouco se sabe sobre os oito irmãos de Giuseppe, apenas que se “espalharam” pelo estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e aqui no Rio Grande do Sul.
Supõe-se que Giuseppe e Maria compartilharam quase três décadas de suas vidas na Linha Dois de Julho, uma localidade onde é provável que tenham criado sua família. Entre os filhos deles estava David Antônio Rigon, meu bisavô. Documentos históricos indicam que David casou-se com Maximina Anholetto na mesma região, com o enlace registrado em Bento Gonçalves em fevereiro de 1920. Outro filho de Giuseppe, Antônio David Rigon, também veio ao mundo naquela localidade. Ele veio a falecer em Tucunduva-RS em 1973.

Após revisar o registro de nascimento do meu avô, José David Rigon, descobrimos que ele nasceu na localidade de “Linha Tiradentes”, em Alfredo Chaves, no ano de 1920. Essa constatação nos leva a crer que seus pais, David e Maximina, estabeleceram residência nessa região após o casamento, onde permaneceram por pelo menos cinco anos.
Ambas as localidades existem até hoje. Linha Tiradentes e Linha Dois de Julho são atualmente comunidades do município de Veranópolis – RS.
Por volta de 1925, Giuseppe e Maria tomaram uma decisão importante e corajosa: Deslocaram-se com toda sua família por mais de 400 quilômetros até Lajeado Estiva, então parte do distrito de Santa Rosa, município de Santo Ângelo. A jornada foi feita principalmente de trem, com bagagens que incluíam móveis e animais como bois, vacas e galinhas. Após chegarem a Santo Ângelo, trocaram os vagões por carroças e cavalos, enfrentando cerca de dois dias de viagem em estradas precárias e perigosas, repletas de desafios como animais selvagens e a possibilidade de perderem seus animais pelo caminho.
Eram grandes as dificuldades nos primeiros dias. Muitas vezes ficavam em completo desabrigo: no mato, sem casa para morar, sem comida, trilhas e estradas abertas a facão, levando nas costas os filhos e as bagagens. Aos poucos, depois de muito esforço, foram conquistando uma certa estabilidade, com casas, lavouras e parreirais.
Com o tempo, a família Rigon expandiu-se pela região, estabelecendo-se em localidades como Nova Esperança, Lajeado Limoeiro, Cinquentenário, Santa Rosa e Tucunduva.
Foi em Cinquentenário que Meu pai, Sr. Ivo João Rigon, nasceu em 1960. Em 1982, uniu-se em matrimônio com minha mãe, Neli Silveira Brun. Embora fosse agricultor, dedicou quase três décadas de sua vida ao trabalho em uma madeireira. Foi nesse mesmo distrito que meu irmão, Diogo, veio ao mundo em 1983, seguido por mim em 1994.
No arremate desse singelo artigo, resta-me salientar que é preciso que lembremos sempre de reverenciar e celebrar diariamente as pessoas repletas de determinação e coragem que nos precederam. Se hoje desfrutamos de conforto e facilidades, é graças à árdua luta e sacrifício deles. Cabe a nós, herdeiros desse legado, honrar suas memórias. É doloroso imaginar a distância e a saudade que sentiram de sua terra natal, e o sofrimento da separação que suportaram, tudo em busca de uma vida melhor para suas famílias e descendentes.
Ainda não tive a oportunidade de visitar Veranópolis, mas está nos meus planos fazê-lo em breve, se o tempo e as finanças permitirem. Tenho o desejo de explorar pessoalmente as localidades de Linha Dois de Julho e Linha Tiradentes. Mesmo que nelas não haja mais do que matas e lavouras, quero contemplar cada aspecto e refletir sobre isso. Pretendo permanecer em silêncio, absorvendo a atmosfera, e apreciar a paisagem que, durante um longo período da história, representou tudo o que meus antepassados possuíam e cultivavam.
Nossa eterna gratidão e reconhecimento àqueles moços e moças, homens e mulheres, nonos e nonas, passageiros dos inúmeros navios a vapor que deixaram a Itália carregados de sonhos, de fé e de esperança. Enquanto houver um “Rigon”, persistirá um profundo sentimento de gratidão pelos pioneiros que, à moda italiana, carregavam seu sobrenome antes mesmo do próprio nome.
Texto e pesquisa: Maicon Rigon
Contato: maiconrigon@gmail.com
Tuparendi – RS
Maio de 2024