Quando lembro de ti,
quando a sombra do “nós” que não existe mais me assombra,
é que percebo o que realmente sou:
não um quebrado qualquer,
mas um sobrevivente de guerra.
Segui em frente, mesmo carregando
pedaços espalhados de mim,
fragmentos que o tempo não conseguiu juntar.
Mesmo sem as partes mais essenciais,
aquela que eu amava com loucura,
aquela que dava sentido à minha respiração,
que alimentava minha crença,
que fazia meu coração pulsar esperança —
essa parte se foi contigo.
Mas aqui estou.
De pé.
Mesmo que falte o que me fazia inteiro,
mesmo que eu seja só sombra daquilo que fui,
ainda resisto.
Porque, no fundo,
sobreviver sem o que mais amei
é a maior prova de força que tenho.