casa alugada

alugamos por alguns meses uma casinha amarela
não sei se era sua tonalidade original
ou o tempo se encarregou de colorir naturalmente
pequena, velha, alguns pregos soltos e rebocos caindo

aquelas paredes presenciaram de tudo
amor, paixão, raiva, ódio
abrigou por um curto período
o mar de intensidade que ilustrou a nossa história

nos mudamos de lá no início de agosto
deixamos nossas marcas em cada centímetro
do teto descascado ao piso quebradiço
nosso cheiro, nossas digitais
foi triste a despedida

acabei de passar por lá
luzes acesas
outras pessoas
semblantes estranhos
outras marcas ficarão em cima das nossas
e, aos poucos, nossa passagem por lá será esquecida
não por nós, mas pela casa

se não fosse a ilusão de acreditar
que abrigaremos e seremos abrigados pra sempre
teríamos a lucidez e a humildade de admitir
que o nosso coração também é assim
uma velha casa alugada

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