Altar do Teu Céu

Teu cheiro me chama,
Sussurra-me por caminhos que não sei nomear,
Mas sei que me conduzem a algum lugar
Onde as palavras se perdem,
E onde os sentidos encontram abrigo.

Onde mora teu silêncio,
Lá, meu coração se inclina,
Porque é no vácuo das palavras
Que o mundo se revela em olhares,
Em gestos que falam mais que qualquer verso.

Teu cheiro me arrasta
Para algum lugar que não sei definir,
Talvez seja o que ousaram chamar de céu,
Mas já provei uma fresta dele no brilho do teu olhar,
Um aperitivo do infinito que me espera.

Sim, teu olhar é uma janela aberta para o eterno,
Um portal que me leva ao céu,
Ao paraíso —
Não pelo que rezam os homens,
Mas pelo altar que é teu corpo,
Onde me ajoelho e suplico
Para que a porta do teu céu
Nunca se feche diante de mim.

E se há melancolia na vida,
Que ela seja apenas sombra diante do teu clarão,
Porque amar-te é mergulhar no absoluto,
É arder no fogo que teu ser acende em mim,
É perder-se e, ao mesmo tempo, encontrar o infinito
Em cada curva tua,
Em cada respiro que rouba meu silêncio.

Teu cheiro me chama…
E eu sigo, cego e devoto,
Por caminhos que só teu amor ilumina,
Até que eu me perca de vez
No altar do céu que mora em ti.

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