O dicionário define egocentrismo como um conjunto de atitudes ou comportamentos que indicam que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo. E, sinceramente, é o que mais tenho visto por aí: uma galera forçando a barra até o último fio de dignidade. Ajudando os outros, claro, mas apenas se houver um fotógrafo, uma plateia ou, no mínimo, uma boa oportunidade de colocar a hashtag certa no Instagram. Porque, convenhamos, fazer o bem sem esperar retorno é quase um desperdício, né? Só faltam pedir aplausos pela gentileza.
Acredito que eu esteja avançando de maneira constante na construção diária de uma mentalidade mais equilibrada, para evitar ser contaminado por essa doença. Quanto menos barulho interno e externo, melhor. Aliás, se eu fosse mandado para uma ordem superior de viver o resto da minha vida numa mata, sem ver outro ser humano por décadas, eu seria o cara mais feliz do mundo. Desde que, claro, tivesse Wi-Fi, cerveja, energia elétrica e um carro para eu fugir para a cidade de vez em quando (porque, né, ninguém é de ferro). (Risos).
Mas, voltando ao ponto – esse assunto que parece ser uma verdadeira epidemia: tem gente que realmente sente uma paixão quase… visceral pela própria imagem, pelos feitos heroicos que criou para si mesmo e por qualquer “diferença” que possa fazer, mesmo que essa diferença não mude nada para ninguém além de seu próprio ego. E olha, carrego por esses indivíduos uma mistura de pena e um desprezo tão grande quanto o tamanho de sua própria vaidade. Sério, dá até pra ouvir o eco de seu ego ressoando por quilômetros.
Por outro lado, sou capaz de aplaudir de pé os verdadeiros heróis anônimos. Aqueles que fazem a diferença no mundo e sequer têm tempo para pensar em cartazes, medalhas ou selfies de conquistas. Voluntários, assistentes sociais, cientistas, até mesmo religiosos (porque, em alguma medida, a igreja ainda deve servir para algo bom). Essas pessoas que, ao final de suas jornadas, vão morrer no anonimato, sem um reconhecimento sequer – e que honestamente estão pouco se importando com isso.
E, para finalizar, vou aplaudir a todos eles, e a mim mesmo, que estou aqui escrevendo nesse site sabendo que ninguém irá ler. E, claro, ninguém jamais fará uma estátua em minha homenagem na Praça Aquiles Turra, com inscrições clichês e frases vazias. E sabe o que mais? Estou cagando e andando pra isso.

