Que belo estrago tu fizeste, hein?
Jamais poderia imaginar isso.
Que, ao mesmo tempo em que te amava,
estava sepultando algo dentro de mim.
Aquilo que de mais puro havia aqui:
a leveza, a paz, e principalmente a esperança.
Tua crueldade marcou pra sempre minha vida.
Depois do furacão que recebeu teu nome,
tentei em vão outras aventuras,
rastejando por cima de camas,
sentindo o gosto de outras bocas,
o calor de outros abraços,
e a ternura de olhares puros.
Tentei, tentei, e tentei,
fracassei.
Nunca fui homem de uma só noite,
sempre tive sede de histórias duradouras.
Tentei iniciar algumas,
mas algo está me bloqueando.
Algo morreu dentro de mim,
e você é a principal suspeita do crime.
Como explicar que nada mais existe aqui dentro?
Como vou explicar a mim mesmo
que não sou mais capaz de amar?
Estou me tornando um covarde.
Estou me tornando igual a você,
justamente aquilo que eu mais condenava.
Permitindo que alguém se aproxime de mim,
mesmo sabendo o triste fim de cada mini-história.
Mesmo sabendo que não haverá correspondência alguma.
Acho que aprendi como surgem as pessoas frias.
De hoje em diante, irei respeitar os corações de pedra.
Pessoas frias não têm passados fáceis.
Ninguém se torna frio por querer.
Ninguém destrói sua sensibilidade de uma hora pra outra.
É uma junção de pequenos, terríveis e cruéis acontecimentos.
Não sei como será daqui pra frente.
Talvez eu me torne um velho rabugento,
no corpo de um cara de 24 anos,
ou um alcoólatra que não suporta a possibilidade de estar sóbrio.
Um inútil covarde que buscará nas mulheres apenas prazer,
nunca mais a essência do amor.
Nunca acreditei em ressurreição,
mas, se existisse, queria que renascesse em mim o que mataste.
Queria reencontrar a minha verdadeira essência,
que está sepultada em alguma vala comum,
em algum cemitério de sentimentos.
Mas finalmente aprendi.
Aprendi como se petrificam os corações.
Por falar nisso, por favor,
poderia devolver o meu?