Se eu pudesse voltar àquele dezembro,
não mudaria nada.
Faria tudo de novo —
cada passo, cada suspiro, cada olhar.
Percorreria a mesma estrada só para te encontrar mais uma vez,
vestindo aquela blusa listrada, exalando aquele perfume que arrancava meus suspiros.
Não tens culpa por não sentir nada por mim —
meu coração também não.
Aliás, ele tem um gosto impecável:
teve o sentimento certo, pela pessoa certa.
Em poucos meses, descobri a grande mulher que és —
aquela que poucos conseguem enxergar além do sorriso de menina.
Mas eu vi.
Vi essa mulher no primeiro instante, nas primeiras palavras.
Você mudou minha vida, mocinha.
Nunca culpe teu coração por não termos ficado juntos.
Não controlamos esses desígnios.
E se pudéssemos, pediria ao meu para te escolher mil vezes mais.
Aprendi tanto contigo.
Quem sabe, um dia, nossas almas se reencontrem —
e, no primeiro olhar, se reconheçam
mais maduras, firmes e resistentes,
com menos dúvidas e medos,
e uma vontade infinita de recomeçar.
Deixo-te um último pedido:
não entregues teu coração a qualquer um
que não saiba perceber sua beleza profunda.
Entrega-o a alguém que, como eu, viu tua alma antes do teu corpo,
que leu teu coração através dos teus olhos,
que captou tua essência na tua voz.
Entrega-o a quem deseje desvendar teus mistérios,
que respeite teus medos e inseguranças,
que, após identificá-los, queira curar tuas cicatrizes.
Alguém que queira caminhar ao teu lado para sempre,
que nunca solte tua mão, nem nos bons nem nos maus momentos.
Eu soltei a tua mão — é verdade —
mas não foi por escolha.
Foi o teu pedido que me afastou,
e por amor, eu respeitei.
Por amor, me afastei.
Por amor, deixei você ir.
Te guardarei num lugar muito especial dentro de mim,
onde repousam as pessoas que mudaram minha história para sempre,
onde conservo as melhores lembranças —
e onde, mesmo em silêncio, continuarei a revivê-las.
Você veio para ficar.
Infelizmente, não ao meu lado, como sonhei,
mas dentro do meu coração —
e nele, com todo carinho e respeito,
eternamente te guardarei.