direito adquirido

Fique à vontade.
Pode destroçar meu coração sem dó.
Não se preocupe —
ele é obra sua.

Foi você quem o construiu,
quem costurou cada cicatriz
como se fossem bordados delicados.
Foi você quem varreu a bagunça,
quem deu sentido ao que era só vazio.

Antes de você, ele era só um órgão —
batendo por obrigação,
sem saber pra quê.

E, quer saber?
Você ganhou esse direito.
Destrua-o.
Rasgue cada parede,
esmague-o até virar silêncio.
Ele é seu —
e talvez sempre tenha sido
apenas para você provar
que até as coisas mais bem cuidadas
podem ser quebradas
com as próprias mãos
de quem as salvou.