Ah, o domingo… o dia em que as musas da inspiração aparecem, mas nem sempre como queríamos. Hoje, vamos falar sobre o que realmente precisamos para viver. Ou melhor, o que nos fazem acreditar que precisamos. Porque, no fim das contas, estamos todos correndo atrás do ouro, como bons ratos de laboratório do capitalismo. Mas o que é o ouro, senão uma distração conveniente para que possamos ignorar o vazio existencial? Aliás, quem sou eu para questionar? Gosto de dinheiro, sim, com a mesma paixão que um escravo da era moderna tem pelo seu salário, que mais parece um prêmio de consolação.
A verdade é que, quando olhamos para o frenético desfile de egos inflados e a hipocrisia transbordante da humanidade, é de se perguntar: o que, exatamente, estamos fazendo? Vamos lá, gastamos a vida inteira com a velha mania de consumir, para, no fim, acharmos que estamos “confortáveis” o suficiente. Acha que aquele Honda Civic, que você parcelou em 48 vezes, vai te fazer feliz no leito de morte? Lamento informar, mas quando a sua respiração ficar lenta e pesada, o único luxo que você vai sentir falta será do ar fresco, não do Bluetooth do carro.
E é aí que mora a tragédia da coisa toda: o apego. Desde cedo, a sociedade nos ensina a nos agarrar a tudo. Pessoas, objetos, status. Um ciclo vicioso de querer possuir, possuir e, claro, possuir mais. Já fui assim. Já recitei aquelas frases clichês como “não posso viver sem você” ou “sem isso eu não sou ninguém”. Hoje, com um pouco mais de experiência (e muito mais sarcasmo), percebo que o único absoluto é o “nada”. Quando a poeira assentar e a verdade nua e crua for visível, você vai perceber que o único apego válido é o que temos por nossa própria essência, que, aliás, ninguém pode vender em parcelas.
Agora, imagine-se naquele leito de hospital, ouvindo o médico, com aquela cara de quem já sabe o destino, sussurrar algo sobre como você não vai sobreviver à noite. Não vai dar a mínima para o seu apartamento de luxo em Capão da Canoa ou para as ações da sua carteira de investimentos. O que vai ser importante ali, no final das contas, será o cheiro de café preto numa madrugada chuvosa, o som de um rio em algum canto remoto, o abraço dos seus entes queridos. Tudo o que não tem preço. E isso, por algum motivo, é o que realmente importa. Surpresa, não?
Na época da escravidão, nossos ancestrais não recebiam salários, mas tinham comida e moradia, um pacote completo para sobreviver. E nós, em 2025, somos pagos (ou melhor, sub-pagos) para comprar comida e moradia. Uau! Uma verdadeira evolução, não é? E o que mais? Ah, claro, poderemos fazer compras no supermercado e pagar as parcelas do financiamento da casa. O futuro nunca pareceu tão brilhante!
Para concluir, vou te dar a solução para uma vida plena e rica de significado: equilíbrio emocional e espiritual. Imagine a felicidade absoluta em uma cama simples, com um colchão confortável, uma geladeira cheia de cerveja e um fogão para esquentar o resto da sua vida. Eu diria que isso é o suficiente para qualquer ser humano que não esteja hipnotizado pela ilusão do “ter”. Porque o que sobra disso tudo? Apenas uma grande, estridente ilusão.
E, por fim, como a hipocrisia nunca foi a minha praia, vou continuar a minha jornada. Vou buscar dinheiro, é claro, mas não vou esquecer de gastá-lo de maneira bem… inútil. Afinal, é isso que a vida moderna exige de nós: um circo de aparências. E adivinha? Tá tudo bem.